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O que dizer às obras do estado islâmico?

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A última Páscoa passada no Alentejo e com a família de lá, sem Internet, com pouca coisa para fazer além de algumas comidas e sobremesas e estando por isso longe de todos os trabalhos e de todos os hábitos normais do dia-a-dia, fizeram-me estar mais atento às notícias e mais reflexivo em relação aos vários temas abordados. Não pude deixar de verificar que um dos temas quentes da cena internacional é a massificada devastidão de morte espalhada pelo auto denominado estado islâmico, nomeadamente a chacina de cristãos, principalmente em África e no Médio Oriente.

Segundo a tradição cristã, como aliás é mostrado em alguns filmes alusivos à época, Jesus Cristo terá aparecido a Pedro (nos seus últimos dias), quando este se afastava de Roma, para se dirigir a pregar para outros locais, dizendo-lhe que a sua presença era importante em Roma, após o imperador Nero ter mandado incendiar a cidade colocando as culpas nos cristãos, uma vez que ele próprio – Cristo – estava a ser novamente crucificado. Este era um prelúdio para a chacina de cristãos que viria a ser levada a efeito pelo dito imperador, mandando-os para a arena, para serem mortos pelas feras, ou queimados vivos ou crucificados. O próprio São Pedro terá sido mandado crucificar, como muitos outros cristãos, sendo que este não quiz morrer como o seu Senhor e por isso pediu que fosse crucificado de cabeça para baixo, o que veio a acontecer.

Para os crentes que vivem ainda hoje os mistérios da Páscoa cristã, é sempre com bastante sensibilidade que se revivem os momentos da paixão de Cristo, o seu significado e o seu objetivo.

Pois bem, passados quase dois mil anos, os “neros” agora são outros: o auto denominado estado islâmico continua numa acelerada cavalgada com o objetivo de dizimar todos os cristãos que existam em alguns países onde conseguem manter células armadas. (1)

Já lá vai o tempo das guerras de poder territorial na Europa – das quais resultou também o nosso país – de cristãos contra árabes e vice-versa. Também já lá vai o tempo dos Cruzados cristãos que, tentando espalhar a fé cristã pelo mundo também cometeram muitas atrocidades em diversos cantos do planeta.

Parecia enfim que, passados dois milénios, uma cerca pacificação se impunha e uma certa caminhada de tolerância interreligiosa parecia tomar lugar, quando aparece mais um grupo terrorista global e fortemente armado, ao que se sabe pelo ocidente, para massacrar vidas cuja culpa única de que padecem é a de confessarem uma determinada fé.

Assiste-se assim à disseminação deste grupo radical com propensões imperialistas e métodos acentuadamente barbários e o ocidente lava as mãos como Pilatos fez em relação à condenação à morte de Jesus Cristo.

Para os crentes na fé cristã, este é mais um acontecimento da história que vem dar ainda mais ênfase à vinda de Cristo e que justifica plenamente os padecimentos porque Ele passou, para tentar salvar a humanidade de si própria e dos seus devaneios pelo desrespeito pela sua própria vida, pela sua própria raça e pela sua própria sobrevivência. Assim, a história repete-se. Repetem-se os sofrimentos de Cristo em cada cristão assassinado, degolado, violentado. Repete-se a fogueira de Roma dentro do coração de cada um dos malfeitores que comandam essas malfadadas milícias. Repete-se a traição de Judas em cada denúncia de que existe um cristão a abater em que parte do mundo que seja. Repete-se a incredulidade dos antigos Hebreus, quando os donos do poder mundial, seus políticos e governantes influentes permitem que se armem tais grupos terroristas, apenas para que os barões das armas continuem a obter lucro. Em síntese, repete-se a maldade de Satanás ao conseguir penetrar nos corações e mentes dos malfadados comandantes e seguidores de tais atrocidades.

Onde estão agora as manifestações “Eu Sou Charlie”, contra não uma dezena e meia de mortos de uma qualquer capital europeia ou ocidental, mas sim contra milhares de mortos anónimos cujo único “pecado” é serem cristãos num qualquer país desprotegido?

Vi saírem milhões às suas em Paris, incluindo chefes de Estado e de Governo, mas não vejo agora esses mesmo mexerem uma única palha para tentar salvar esses cidadãos cujas vidas valem o mesmo que os assassinados “Charlie”.

Se calhar poderíamos pensar um pouco nisto…

(1) Vide http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/internacional/siria-vigario-de-alepo-acusa-ocidente-de-alimentar-o-massacre-de-cristaos/

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