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Era uma vez um vírus…

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Era uma vez um planeta denominado Terra, um planeta que partilhava uma imensa galáxia com milhões de estrelas e astros, um planeta que dividia o espaço com outros planetas cujas características eram pouco ou nada semelhantes, um planeta constituído por milhões e milhões de humanos, animais, árvores, prédios…o único planeta do sistema solar habitável, asseguravam os cientistas.

A raça humana que, segundo os católicos, condenou a humanidade ao pecar com uma maça na historia religiosa de Adão e Eva, uma raça humana que, segundo os cientistas, é uma evolução do macaco, uma gigantesca evolução que fez de nós a única raça racional no mundo, a única raça capaz de sentir, pensar, actuar sem ser de modo ilógico…uma raça nobre, sociável, cooperativa e feliz.

Um dia normal como tantos outros, solarengo ou chuvoso, habitual e rotineiro, um dia do último trimestre do ano 2019, sem que ninguém o expectasse algo intitulado vírus, algo que não é visível nem palpável, segundo os cientistas, teve inicio numa banca de venda de animais vivos em Wuhan, uma cidade populosa da China, um vírus altamente transmissível – Covid-19 – nocivo, inquietante e mortal nas pessoas com saúde mais debilitada. A partir desse dia, igual a tantos outros, o planeta Terra nunca mais foi o mesmo.

Os humanos foram obrigados a ficar em casa, foram obrigados a tomar conta dos seus filhos, cujas escolas, infantários e centros de ocupação fecharam, a preocuparem-se com os seus pais e avós, a conviver com os seus companheiros e maridos, algo que deveria ser positivo afinal são a nossa família, mas o nosso dia a dia barulhento, turbulento e apressado não deixava transparecer os sinais negativos de termos a família confinada a quatro divisões de uma casa por tempo indeterminado. Os humanos deixaram de ter o contacto social que tanto apreciam, o café com as amigas, o fino com os colegas, as saídas à noite, as saídas à tarde, as saídas de manhã, tudo tão normal e agora tão efémero. Os humanos com o medo sobrelotado nos seus pensamentos, esgotaram tudo o que havia nos supermercados, farmácias e nos próprios cartões de crédito, o receio de não terem nada em casa quando o estado de emergência se instalasse desviou o seu comportamento racional. Os transportes públicos, a abarrotar de gente cansada, infeliz e apressada, estavam agora silenciosos e desinfectados e gratuitos.

Todos os comportamentos que seriam considerados normais, como andar na rua, cumprimentar o outro, saudar o vizinho, aproximar-nos de uma pessoa para conversar, seriam criticados e até reprimidos, os indivíduos na rua seriam ostracizados, considerados loucos e egoístas, por prejudicarem a sua saúde e a saúde da comunidade. Os locais de turismo, abundantes em figuras dos mais variados países e identidades encontravam-se agora desertos, as fotos, as selfies, os estados de felicidade no facebook e instagram já não eram importantes. As fronteiras terrestres e aéreas, pontos cruciais no “ganha-pão” de uns e enriquecimentos de outros estavam encerrados.

Se os humanos, com  a sua pequenez desvirtuosa, pensavam que o “tal vírus” só se propagava na China, enganaram-se, eis que a divindade ( ou seja lá o nome que lhe queiram chamar ) vem mostrar que somos todos iguais, que o outro lado do mundo não existe, que as fronteiras são apenas isso, fronteiras, que as línguas e as nacionalidades não deviam originar distância, homens, mulheres, crianças, chineses, portugueses, italianos…brancos, pretos, ricos, pobres, com grandes mansões ou a viver debaixo da ponte, directores de bancos com milhares no bolso, ou pessoas sem terem onde cair mortas, velhos, novos, SOMOS TODOS IGUAIS, ESTAMOS TODOS NO MESMO BARCO, um barco que espero eu, cidadã comum e igual a todos vocês, não se afunde.

Espero que, com toda a honestidade que me caracteriza, que o mundo aprenda a viver depois de sobreviver a este caos, que respeitemos as pessoas, os animais, a natureza, que aprendamos de uma vez por todas que ninguém é mais que ninguém, que somos equitativos em todas as raças, que não precisamos de viver nesta desigualdade social e económica, neste frenesim estúpido, que temos de viver permanentemente o agora e o presente. O amanhã nunca nos foi garantido e não o será agora nem nunca. A divindade está a oferecer-nos uma oportunidade, talvez seja a última, não a vamos desperdiçar!

” Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou (…) “

Heráclito

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