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Idiota da Aldeia, eu não quero ser sua amiga!

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Caro Idiota da Aldeia, quero dizer-lhe que não gosto de si. E muito menos pretendo ser sua amiga. Sei que detesta certos comportamentos e atitudes que tenho, mas daí a dizer que são detestáveis, em qualquer ser humano, acho um pouco abusivo da sua parte.

Primeiro que tudo quero que saiba que eu própria detesto ser o centro das atenções. Detesto! No entanto as pessoas acham-me adorável. Que culpa tenho eu de ser uma criatura tão maravilhosa que o simples facto de existir deixa qualquer um derretido? Uma mini-pessoa tão espectacular que sempre que sorri é capaz de encher um sala?! Um ser tão adorável, mas tão adorável, que só por fazer cocó já deixo os meus papás em êxtase? E atenção, eu faço cocózinhos, ou quanto muito um cocó, fique sabendo que os bebés não defecam. Isso é só para vocês, seus adultos porcalhões!

Sim, tenho muita fome. Sim, não suporto esperar. E sim, sou irritante quando tenho fome. Mas tem de compreender que eu não posso propriamente ir a um café, ou a supermercado comprar qualquer coisa para lanchar, não é verdade? Se tenho fome tenho de pedir. Como?! Chorando… Porque de outra forma ninguém me entende. E digo-lhe mais, você pode comer sandes, saladas, pizzas, hambúrguers, etc… tudo com um cheiro e aspecto delicioso. Já eu não! Para mim é sempre leitinho. Mesmo que não me apeteça é leite ao pequeno-almoço, leite ao almoço, leite ao lanche, leite ao jantar, leite à ceia… Imagine lá o que é que é ter de comer qualquer coisa, até pode ser o seu prato favorito, de 3 em 3h, durante 6 meses. Chateia, não chateia? Enjoa não enjoa?! Claro que enjoa! Mas disso ninguém fala, não é verdade?!

No que toca à minha roupa sou forçada a concordar consigo. Detesto a roupa que me vestem. Fora uma ou outra coisa mais engraçada, toda a minha indumentária é super pirosa. Mas que culpa tenho eu. Toda a mundo acha que as raparigas só devem usar roupa rosa, folhos e bonecos fofinhos… Blhark! Às vezes até bolço, de propósito, para cima dela só para ver se me vestem outra coisa.

E já que estamos numa de sinceridade deixe-me que lhe diga uma coisa: a dos adultos não é lá muito melhor… T-shirts por cima de camisolas manga comprida?! Cuecas à mostra?! Até eu que sou bebé sei que as blusas de manga curta são para se usar por debaixo das de manga comprida, e que as cuecas, ou as fraldas no meu caso, devem de andar sempre tapadas!

Com que então acha que eu sou preguiçosa… Ora experimente lá estar 9 meses parado, sem se mexer, confinado a um espaço super exíguo e depois venha-me cá dizer se lhe apetece andar por aí a mexer. Era o mexias! Tenho a certeza absoluta de que se fosse um adulto a estar o tempo que eu estive fechada naquele útero, dificilmente voltaria a andar… Mas eu não… Esforcei-me para sair lá de dentro e apesar de agora ainda me conseguir mexer pouco,  juro que assim que voltar à minha boa forma física não há quem me agarre…HUAHAHA!

Sou espanhola?! Sou pois! Sou preguiçosa para falar? Um pouco. Mas a culpa também é dos adultos que me rodeiam. Se eu disser “aggaaa” ou “pa… pa… pa…” e ninguém me corrigir eu não aprendo, não é verdade? Ninguém nasce ensinado. Eu pelo menos não nasci! Preferia mil vezes que me ensinassem que aquele pássaro é um pintassilgo em vez de um “piu-piu”. Ou que aquele bicho gigante é uma vaca e não uma “muu-muu”… Mas também vos digo, mal eu aprenda a falar como deve ser, irei ser uma fala-barato de três em pipa. Até vão desejar que eu nunca tivesse aprendido a falar!

Ora resumindo e baralhando: fique sabendo que também não pretendo dar-me consigo. Você é mau! Até pode ser engraçado e divertido. Mas é ruim. Uma boa parte de mim diz-me que o devo abraçar e fazer-lhe grandes sorrisos para que aprenda a gostar de mim. Mas outra diz-me que o melhor mesmo é detestá-lo e desatar a chorar, desalmadamente, enquanto faço um cocó grande ao seu colo.

É que sabe, “eu sou muito instável a nível emocional…” E o pior é que nem posso tomar medicamentos para isto, como o senhor bem disse. Acho que o melhor mesmo é esperar para crescer e ansiar para que não me transforme numa “Idiota da Aldeia” como você!

“Eh! Eh! Eh! Bebé Sofre!”

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