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Liderança Visionária e os princípios intemporais das relações humanas

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‘Leva-me a um lugar onde me possa sentir mais Eu. Não quero dizer Eu-Eu, remoendo nas minhas próprias ideias e deixando de lado o que é verdadeiramente importante. Leva-me a um lugar onde eu possa ouvir os pássaros falar comigo, como se estivéssemos todos sentados à mesa, numa comemoração permanente por nos aproximarmos cada vez mais da Primavera. E chegada, possamos continuar comemorando até ao Verão e assim sucessivamente…’

As relações humanas nas organizações são preponderantes na forma como os colaboradores encaram as suas funções e respondem às responsabilidades delegadas pelas hierarquias superiores. Deste modo, conquistar a confiança duradoura do colaborador da empresa não implica simplesmente escutar e estar no ato de contratar, nem tão pouco dar-lhe um aperto de mão e pagar-lhe no final do mês. As relações humanas envolvem quatro premissas muito importantes que devem de ser tidas em conta na organização e na relação entidade patronal – colaborador: o cumprimento das promessas, a escuta ativa, uma compaixão constante ou atitude compassiva e sinceridade (Sharma, 2010).
Uma promessa não deve de ser chamada de tal se a intenção à partida é ‘não cumprir’. Prometer implica delinear um conjunto de esforços necessários que visam satisfazer o que se prometeu a quem se prometeu no intento de fortalecer a relação humana estabelecida entre as duas pessoas envolvidas. Por isso a importância da promessa ser cumprida. «Cada promessa que não cumpres, por mais insignificante que te possa parecer, delapida o teu caráter», pois se não a cumpres o que estarás a transmitir? Que não te preocupaste, ou que não elaboraste os esforços necessários para concretizá-la ou então que prometeste na hora porque sim, e isso bastou para responder à situação do momento. Por isso, quando não podemos ‘prometer’ podemos pelo menos, atender à excelência da palavra ‘tentar’ para não defraudar o compromisso com o outro. Lembro-me perfeitamente querido leitor, de estar nas aulas e ouvir o meu supervisor de monografia dizer umas quantas vezes: ‘Não lhe prometo, mas vou tentar’; ou então, ‘tente fazer isso e depois vamos ver’. Esse tentar quase promessa, implica um compromisso mútuo que revela atitude e caráter por parte das hierarquias superiores ou daquele que se esforça por cumprir a sua promessa; por outro lado, implica de igual modo um aumento gradual de confiança por parte do colaborador já que esse ‘tentar’ foi cumprido como satisfação de promessa.

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O segundo fator apresentado é a escuta ativa. Escutar ativamente éperceber, ouvir com intenção de compreender o máximo de informações possíveis que o outro nos está a transmitir. Interromper o outro constantemente, completar as frases do outro quando ele está a dialogar ou a conversar, contrariar o outro só pelo princípio idiossincrático de que se quer ter razão, são formas de colocar em balanço negativo as relações humanas. Cativar corações implica essa escuta profunda: ‘Preciso de silenciar para me ouvir’; ao ouvir, ao escutá-lo, entendê-lo e compreender, estarei a dizer com a minha escuta ao outro o quê? ‘Estou aqui para ti’, ‘sou contigo’, ‘quero perceber-te e ajudar-te a te ajudares a ti próprio’, e sem cair numa comunicação passiva ou insignificante saberei que quanto melhor ouvinte for melhor comunicador serei. A escuta ativa em psicoterapia é imprescindível. A relação empática com o outro depende em grande parte das informações e das respostas a questões abertas que se estabelecem bem como o feedback das mesmas devolvidas ao cliente. No entanto esta escuta ativa não quer dizer uma escuta manipulada, senão uma escuta de quem é o outro e do que precisa para se tornar ainda mais capaz na organização. O  ser humano está mais apto a utilizar o sentido da visão que o da audição, já que cerca de 83% dos estímulos sensoriais processam-se através de uma visão constante; por isso dar primazia à escuta ativa é um princípio para desenvolver uma confiança duradoura entre chefia e colaborador.

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O terceiro fator que deve de importar nas relações humanas é a atitude compassiva. No budismo, a compaixão é dos valores mais falados entre os valores mais importantes das relações humanas. O estar aberto ao todo do outro (ser holístico),  à sua visão e compreensão sobre os vários ‘objetos-situações, objetos-condições’ é ir ao encontro das palavras de Goethe quando diz: «Trata as pessoas como elas deveriam ser e ajuda-as a tornarem-se no que são capazes». Deste modo,  o respeito, a estima, a humanidade e a cortesia no exercício da profissão, são pequenos atos de atenção que sublinham a preocupação com o bem-estar do outro: ‘Porque não enviar um postal a felicitar um bom desempenho do colaborador, após o cumprimento excelente de um desafio ou de uma tarefa?’
O quarto fator e talvez o mais importante – ser verdadeiro. «Para obteres o apoio das pessoas e o seu compromisso profundo com a tua visão do futuro, tens de partilhar tanta informação quanto possível. Quanto melhor elas souberem o que fazes, mais investirão na tua meta.» Abordar as questões que o perturbam, as expetativas colocadas naquilo que fazem, perguntar abertamente de que forma é que a chefia o pode ajudar nisto ou naquilo, apostar na formação do colaborador e incluir o mérito das competências e mais-valias pessoais e coletivas na organização são ações de profundo compromisso com o outro. «O líder visionário atinge o seu nível máximo em termos de qualidade do seu relacionamento com as pessoas, quando elas acreditam de tal forma profundamente na sua liderança que fazem tudo o que está ao seu alcance para não o dececionarem, e quando isso acontece tudo se torna possível na sua organização».

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