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A Moda da #selfie

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“Ai que as miúdas de hoje, pá, só sabem tirar fotos todas dobradas, com roupas justas, a fazer biquinho de pato! “Bang bang!” Dizem vocês. Bang bang, mataram o pato. Bang bang, ridicularizaram uma miúda que se sente bem com o seu próprio corpo, porque deus me livre dela gostar do que vê no espelho.

Bang bang, já não parece tão confiante agora.

As selfies estão-se a propagar. Agora são mais e melhores que as fotografias de grupo, têm mais destaque do que as tiradas à noite nas discotecas, são propagadas no facebook, no twitter, e mais recentemente no instagram. As selfies já existiam antes da própria designação existir, quando as raparigas começaram a tornar as suas fotos de perfil em flashes no espelho de máquinas digitais com bikinis postos e um sorriso no rosto; quando os rapazes começaram a distribuir likes como quem distribui doces e comentários e elogios como quem planta sementes… A ver qual cresce mais rápido.

Podem alguns rapazes (quase homens feitos, tristemente) constatar que as raparigas só mostram estas fotografias porque querem atenção, porque estão desesperadas, se calhar são solteiras, ou pior, putas, fáceis, desgastadas. Se nunca viram nada disto no hi5 (sim, nessa altura) então se calhar são demasiado velhos ou demasiado novos para lerem isto, mas esta mentalidade estava em todo o lado nessa altura, e migrou para o facebook em menos quantidade apenas – e só apenas – porque esta rede social é mais segura que o hi5, e não tão dramaticamente dada a flirts e promiscuidades aleatórias.

Uma rapariga podia a dada altura, fazer o upload de uma fotografia tirada de costas. Apenas isso, uma rapariga de costas. No Hi5 era igual a ter dez ou mais comentários a dizer que o rabo era bom, que grande figura, meu deus o que davam para estar na fotografia também. E ainda assim as raparigas é que levam na cabeça por tirarem fotografias a elas próprias, e não os homens que se babam ao mínimo sinal de pele exposta.

O nome veio mudar isso. O nome selfie veio dar uma dignidade nunca antes vista a um acto de carinho para com o próprio, e surpreendentemente até os rapazes agora têm instagram, o céu de quem tira selfies e outras fotos que tais! Pena é eu ter visto dois rapazes no autocarro a mostrarem as suas selfies um ao outro e ainda assim a diminuírem as selfies das raparigas que seguem na rede social. Porque podem-se mostrar meios nus e serem boss, mas dão-se ao luxo de fantasiarem comer a rapariga da fotografia do espelho e ainda assim objectificá-la só porque foi ela que tirou a sua própria fotografia.

Se faz sentido? Não, não faz. Mas ao menos agora começamos a gostar de nós próprios mais um bocadinho… E se nós gostarmos de nós próprios, não precisamos da aprovação dos outros. Aqui quem é que ganha a confiança? Pois é, senhores. Quem a ganha somos nós. Não precisamos dos vossos falsos elogios para nada.

Bang bang.

Crónica de Carla Vieira
Foco de Lente 

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