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Mulheres – Ana de Castro Osório

Manifesto de Ana de Castro Osório “Ás Mulheres Portuguesas”

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Feminismo – Movimento que defende os direitos das mulheres, baseados no principio de igualdades entre os sexos.

Ana de Castro Osório nasceu em Mangualde a 18 de Junho de 1872, foi escritora de mais de cinquenta obras, a mulher que detém o titulo de criadora da literatura infantil portuguesa, foi também jornalista e pedagoga. É também conhecida por ter publicado a única obra de Camilo Pessanha, Clepsidra, em 1920 ( o poeta que a pediu em casamento e que Ana Osório recusou ). Foi ainda uma distinguida activista republicana portuguesa, e é nesta última função que vou focar a minha crónica.

Vou contar o episódio desta escritora que me marcou especialmente. Em 1905, numa sociedade machista, retrógrada e acorrentada moralmente e socialmente, Ana de Castro Osório escreveu um manifesto intitulado Às mulheres portuguesas, manifesto este que abordava várias questões relacionadas com o papel da mulher na sociedade – a mulher como mãe, a mulher como esposa, a mulher trabalhadora – e como os seus direitos deviam ser respeitados. Mas Ana não se limitou a escrever o manifesto, ela fez questão de se colocar nas portas das fábricas para o distribuir a todas as mulheres, quando estas terminavam o trabalho, num apelo maternal e educacional para que as mães amamentassem os seus filhos.

Ana de Castro Osório, a feminista que viveu numa época em que a palavra feminista era um palavrão, colocou o dedo na ferida ( como se costuma dizer ) e lançou-se às bestas da melhor forma que sabia, a escrever, a discursar, a defender, a entregar manifestos à porta das fábricas…

Quando penso nestas mulheres sobejamente inteligentes, cívicas, solidárias e corajosas, fico surpreendida como é que temos a desonestidade de não darmos continuidade ao trabalho de quem tanto fez por nós, mulheres. Em 1905, uma mulher batalhou para que as mães pudessem ficar em casa a amamentar os filhos, hoje, em 2019, as mães tem direito à licença de parto de, pelo menos, seis meses, e vemos uma celebridade como a Rita Pereira a achar-se linda e maravilhosa porque foi trabalhar sete dias após o parto. E como vivemos em sociedade vamos todos concordar que este tipo de propaganda irreal está correcto, e lançar o pânico às recentes mães que só querem desfrutar sossegadas da maternidade, com todos os direitos que lhes assistem.

Na próxima crónica Mulheres falarei sobre Ana Plácido, a mulher que viveu um amor proibido com um dos maiores escritores da literatura portuguesa.

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