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No meu rosto

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Um vestido pouco atilado. Usual, e com seios desnudados. Um fogo que salta de vista em vista. Os homens espreitam. Observam da varanda. Os homens produzem lume, mas não têm frio. Queimam as lembranças gratas, perdem a magia. O meu ser está embutido em ti. Corro para o mar, ou para junto de ti. Que é a mesma coisa. E o mar é imenso.

No meu rosto bate um leve sorriso. No rosto do meu corpo inunda um breve sorriso.

Não admito a metade de ti. É absurdo querer a metade de ti. Quero-te por inteiro. Quero-te por dentro do nevoeiro; sentir-te, incluir-te, resguardar-te da frieza. Quero-te com todos os defeitos. Os teus, que contemplo. Simplesmente porque te amo. Simplesmente porque te quero.

Vem. Caminha comigo. Não quero outro de ti. Não pretendo outros de ti. Preciso que me agarres. Preciso que me embebedes de beijos teus. Preciso que me abraçes como um todo que sou. Para ti. A maior verdade de todas.

Não suporto sentir-te a falta. Desvio as atenções. O meu coração embate nas paredes ocas. Algures dentro de mim. Carrego todos os segredos. Todas as tábuas da salvação. Mantenho-me em ti, para não vislumbrar a sombra.

O amor é o pensamento da alma. Gracejo com as pedras da calçada. Enquanto espero por ti, respeito o sonho, reconheço o vasto tempo de todas as coisas. Sinto-me do tamanho da vida. O prazer é sublime, divino, certeiro, e talvez delirante. Apenas existo, para te fazer sonhar. E sonhar os que não têm vagar. Como tu, que urges o sentimento de afeição.

Regresso a casa. Se te amo. Com o dia a corromper. Trago-te pendurado nos olhos. Mesmo quando não me tocas. A eternidade espelhada na prata. Se te amo. Há ossos. Há expressões rigorosas. Há mãos hesitantes. Há estrelas em tudo. Há partidas. Há chegadas. Há afagos. Há ventos quentes. E há quem te absorva de novo. Eu. Sempre.

Se for para falar de amor, que seja contigo. Se for para respirar, que eu seja o teu ar.

Trinta de dezembro de 2015, dez e cinquenta e um.

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