O Motel Caviar

A Estela anda com um tipo casado. Ambos trabalham numa multinacional, em pisos diferentes, ela no departamento de contabilidade, ele no departamento de marketing. Um dia lindo de sol ou de chuva ( isso não é relevante nesta história que vos conto ) a impressora avariou e Estela desceu ao piso inferior para utilizar a impressora dos colegas, foi assim que se conheceram, do momento em que os olhares de ambos se cruzaram até Estela fazer-lhe um broche no popó Mercedes foi um instante, não o broche mas a diferença de tempo, apenas duas semanas. A excitação do popó finório deve ser deveras aliciante, nunca fiz um broche num Mercedes mas acredito piamente que conforto não deve faltar seja qual for a atividade sexual desempenhada. Foi, portanto, o primeiro contacto de fluídos entre ambos, se usaram preservativo ou não, não é importante especificar, até porque todos sabemos que 80% dos homens com duplas relações não usam proteção, trazendo para dentro de suas casas seguras uma série de doenças sexualmente transmissíveis que as mulheres descobrem por acaso, alguns anos depois numa consulta de rotina.

Assim começa mais uma tremenda história de infidelidade, daquelas que acontecem todos os dias mas que casal nenhum assume, longe da vista, longe da verdade, não é assim que a sabedoria popular profere? Mais coisa, menos coisa.

As conversas pós-coitais eram agudamente emocionais, uma panóplia de desculpas dadas pelo tipo para estar enfiado no automóvel de família com a colega de trabalho, num canto de uma estrada onde não passa viva alma – a mulher sofreu de depressão pós-parto, a esposa está insuportável, o ambiente em casa está pesadíssimo, a mulher só vive para os filhos, o sexo já não existe, o divorcio está iminente, não há comunicação entre o casal, blá, blá, blá…A Estela pouco importa o discurso lamechas e redundante, isto é só uma aventura, umas kekas, jantares, almoços, mensagens picantes, lingerie nova e uns valentes orgasmos se possível. Estela não quer dramas nem tão pouco novelas, não quer mulheres ciumentas à porta do seu trabalho ou de sua casa, ela não tem culpa se o tipo anda com ela, ele não é marido dela, portanto, a mulher dele que resolva.

No quarto encontro, numa feliz coincidência profissional, foram parar ao Motel Caviar.

 

Continua…