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Santamaria apresentam o novo álbum – Gold

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Os Santamaria. Música. Há quem torne firme que depois da cessação de algo estrépito, o que mais facilmente se acerca da força de expressão é, indubitavelmente, a música. Nada mais certeiro. Ou assertivo.

Dois Mil e Quinze marca o regresso da banda mais bem realizada de todos os tempos. Em Portugal. Desde Mil Novecentos e Noventa e Oito.

O mês de julho limita o fim da linha por um dos álbuns mais conjeturados dos últimos anos. A ansiedade tem tomado conta dos milhares de seguidores da banda provinda do Porto. Para o mundo. Uma espera findada.

Sem a genialidade da música, a vida seria um verdadeiro testemunho deitado por terra. Por consequência, a inexistência dos Santamaria não mais seria uma completa anulação.

Depois do sucesso alcançado com o tema “Já não sei de ti”, a banda surpreende os admiradores ao surgir com “Gold”. O novo trabalho discográfico.

A marca de ouro traduz-se numa aliança poderosa de sons produzidos pelos mais conceituados instrumentos eletrónicos de Luís Marante, Tony Lemos e Lucas Jr. Um registo disposto de inovadas sonoridades, mantendo sempre como particular prioridade o exuberante e amplo currículo dançante.

A época presente é o palco principal. O tema “Não sejas assim (feat. Rui DC)”, comprova a já conhecida atualidade imposta pelos seis elementos. Não de agora. Mas de sempre. A implementação da distinta Kizomba a servir de epígrafe promocional. Um registo marcante para a música portuguesa. Uma cadência de movimentos imperativos. Com uma coreografia plena de calor e sensualidade que propícia uma verdadeira cumplicidade entre os pares envolvidos.

Quem ouve Santamaria considera o isolamento povoado de gentes. A junção de inúmeras gerações. Dos oito aos oitenta. Ou dos cem aos mil. E há sempre mais para explorar. O tema “És tudo” é um dos singles mais ricos do álbum. Estabelecido de um instrumental fortemente caraterístico. Colado a uma voz principal que não deixa ninguém indiferente. É importante desafiar novos públicos, manter a antiguidade, e, sobretudo não proceder à desilusão. No alinhamento emerge o tema “Kiss me now”. Um beijo dado no momento e que enleva a lembrança para os grandes clássicos dos anos oitenta. É impossível não recordar vozes femininas como Pat Benatar, Sade, ou mesmo Dona Summer. O pungente “Mil palavras” também desempenha um papel fundamental no álbum. Elaborado de forma concisa, onde cada acorde é uma letra por desvendar. De segredos por descobrir. E de baladas por ouvir. Como é exemplo “Lado a lado”, também em versão acústica, e “Corre”. O isqueiro obrigatório. O abanar os braços de um lado para o outro. O romantismo perfeito. O caráter sentimental reconhecido pela crítica em geral e que desde sempre está intrínseco na narrativa dos Santamaria.

Santamaria

Um álbum refrescante. Um álbum que representa tudo aquilo que de melhor se faz em Portugal. Repleto de letras significativas que viajam o pensamento. Uma obra que faz sonhar. Um sonhar que se bebe de um trago só. Uma aposta irrepreensível pelo carisma autenticado de Filipa Lemos e da energia arrebatadora de Maria João Valente e Magda Monteiro.

Os Santamaria são uma forma de estar na vida. Como se de uma religião ou crença se tratassem. Momentos épicos que eternizam o tempo. Um tempo célebre. Um tempo digno de ficar na memória. Dezassete anos indesmentíveis de puro talento. Os Santamaria.

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