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Sobre o clima

Eu acho que nos devemos preocupar – urgentemente – em fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para reverter – ou pelo menos colmatar – as alterações climáticas.

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Lembro-me quando, (se a memória não me atraiçoa) nos anos 90, começou a ser “moda” falar-se em reciclagem, como forma de melhorar o ambiente. Foram muitos o que se mostraram disponíveis para reciclar. Pelo menos os que eu conhecia e via na TV, pois não havia Hi5 ou Facebook ou outros do género, para as pessoas declararem publicamente as suas causas (e muitas vezes depois não as levam a cabo, mas isso dava outro texto).

Passados cerca de 20 anos, o que se observa? Aquela incipiente tentativa de protecção do ambiente esbarrou – como muitas outras – na avareza de muitos, que pouco ou nada se preocupam com o futuro, desde que o presente signifique bolsos cheios.

Para quem viveu os anos 90, lembram-se de (naquela altura) fazer muito frio nos meses de Verão e andar de manga curta, cheio de calor, em Dezembro ou Fevereiro? Lembram-se de eventos climatéricos como tempestades e furações, quase semanais, em qualquer parte do mundo, algum com força para devastar zonas enormes, como aconteceu em Moçambique? Alguma vez, nessa altura, ouviu falar em seca extrema em grande parte do país (para além do Alentejo que, dizem, ficou resolvido com a construção da barragem do Alqueva) ? Não é isto razão para alarme?

Se acha que não, das duas uma: ou é presidente de um país do continente americano, mais preocupado com notas do que com sobrevivência ou a sua consciência já era e precisa de um transplante.

Eu acho que nos devemos preocupar – urgentemente – em fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para reverter – ou pelo menos colmatar – as alterações climáticas. E, consciente que “Roma e Pavia não se fizeram num dia”, há que começar por algum lado. Mas quando o reitor da Universidade de Coimbra referiu que (entre outras medidas já implementadas que aos jornais não interessam pois não geram polémica) iam abolir a carne de vaca das cantinas a partir de 2020, para muitos parecia o anúncio do regresso da pena de morte. A produção em massa de carne bovina é um dos maior produtores de dióxido de carbono (para saber em detalhe, leia aqui uma noticia do DN de 2009). E é o próximo passo na luta pela neutralidade carbónica que a UC quer alcançar. Podia ser outra medida agora? Podia, mas era inevitável que se chegasse a ela. E nem o argumento económico por parte dos produtores vale aqui, pois eles já se queixavam (antes do anuncio desta medida, obviamente) que as cantinas universitárias em Coimbra quase não tinham carne de vaca. Se já antes “quase não tinham”, acredito que o impacto não seja assim tão grande.

Eu não sou vegetariano e, honestamente, não tenciono passar a ser. Não me odeiem, vegetarianos, mas eu gosto muito de carne. Mais carne de aves, mas também compro às vezes carne de vaca ou porco. Mas entre contribuir para a minha geração e as gerações vindouras, dos meus filhos e dos meus netos, tenham um planeta habitável ou matar a minha gula por carne bovina (com maior frequência), opto pela primeira opção.

Crónica de João Cerveira
Este autor escreve em português, logo não adoptou o novo (des)acordo ortográfico de 1990

 

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